O início da conquista da Península Ibérica pelos romanos, no contexto das Guerras Púnicas, deu-se em 218 a.C., com a invasão da cidade de Ampúrias, na actual Catalunha, e só viria a ficar concluída no final do século I a.C. Pelo meio ficaram dois séculos de intensas lutas, das quais se destaca a que opôs os Lusitanos a Romanos, que se terá iniciado em 194 a.C.. A região onde se inscreve o território do actual concelho de Fornos de Algodres era parte integrante do território ocupado por esse conjunto de povos, tendo sido progressivamente romanizada ao longo desses dois séculos, sobretudo no período das guerras civis entre César e Pompeu. Romanizada, a região onde se integra o actual concelho de Fornos de Algodres viria a fazer parte da Civitas de Viseu e atravessada por uma importante estrada que ligaria a área da Guarda à estrada que, vindo de Idanha-a-Velha, seguia até Viseu. Esta estrada terá tido um papel particularmente importante na organização do povoamente rural no território de Fornos durante o período romano, contribuíndo para o estabelecimento de uma série de villae (propriedades rurais) nessa área. A ocupação romana manter-se-ia, na região, até ao início do século V, altura em que Suevos, Vândalos e Alanos se instalam, pondo fim ao domínio romano.

Vestígios Romanos em Algodres

Ara votiva no Furtado

IMAGEM Freguesia: Algodres Sítio: Furtado Coord: 250.500/410 GAUSS C.M.P., fl. 191, Alt 605m Encontra-se actualmente na capela de S. Clemente na aldeia do Furtado. Trata-se de uma ara votiva com a seguinte inscrição: PVDENS/COMPETRI(filius)/ARAS EI/COLLOVESEI /CAIELONI/C|OSIGO S(acravit, vel -ancto?) Pudens, (filho) de Competrius(?), consagrou(?) as aras àquele Colloveseis Caielonis Cosigus (santo ?). Datará do séc. III. (CURADO, 1986)Vestígios em Algodres

Freguesia: Algodres Sítio: Algodres Coord: 252.125/408.705 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt 670m No interior desta aldeia foram encontrados fragmentos de cerâmica de construção (Marques, 1938, p.50). Foi recentemente descoberta, integrada numa parede, uma ara anepígrafa (Gomes, 1988). Vestígios Romanos em Casal Vasco

IMAGEM Lápide do Ramirão

Freguesia: Casal Vasco Sítio: Ramirão Coord: 248.500/407.900 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt. 665m Localiza-se no interior de uma casa particular na povoação do Ramirão. Trata-se de uma lápide funerária que se encontra reaproveitada, invertida, numa parede de uma sala interior da residência do Sr. Joaquim Luís de Pina, no Ramirão, freguesia de Casal Vasco. Nela se encontra epigrafado o seguinte texto (segundo CURADO, 1986): LOBAENVS/MANI (filius) ANNO (rum)/VII (septem). PATER.F(ilio) .F(aciendum) C(uravit). (Aqui jaz) Lobaeno, Filho de Mânio, de sete anos. O pai mandou fazer ao filho (esta memória) Segundo Patrício Curado (CURADO, 1986) esta lápide poderá datar do século I.Vestígios Romanos em Figueiró da Granja

Vestígios Romanos da Torre

Freguesia: Figueiró da Granja Sítio: Torre Coord: 254.900/407.125 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt 480m O sítio localiza-se no extremo Nordeste da povoação de Figueiró da Granja, mesmo por trás do cemitério, num olival com o topónimo de S. Pedro ou Torre. No sítio da Torre, no limite da povoação de Figueró da Granja, junto ao cemitério, foram recolhidos inúmeros vestígios da presença romana: cerâmica de construção, um Capitel Jónico, cerâmica doméstica, moedas e fíbulas (MAQUES, 1938, p48).

Em recentes prospecções no local recolhemos, igualmente, fragmentos de cerâmica comum e de construção, encontrando-se estes materiais em estudo.Vestígios Romanos em Fornos de Algodres

IMAGEM Vestígios da Quinta da Bodeira

Freguesia: Fornos de Algodres Sítio: Quinta da Bodeira Coord: 247.125/405.325 GAUSS, C.M.P., fl. 190, Alt 550m

Localiza-se a cerca de 2Km para Oeste de Fornos de Algodres, 300m a Norte do leito do Ribeiro do Arcal. O acesso faz-se através de um caminho de terra batida que desemboca na estrada nacional, à direita de quem vem de Fornos.

Na quinta da Bodeira, em prospecções realizadas, foram recolhidos diversos materiais de origem romana: fragmentos de cerâmica comum, tegulae e imbrices (cerâmica de construção).

Estes vestígios, abundantes, concentram-se nos terrenos envolventes das casa da propriedade e encontram-se actualmente em estudo. Vestígios Romanos de Fornos de Algodres

Freguesia: Fornos de Algodres Sítio: Fornos de Algodres Coord: 250/406 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt 550m

Ara descoberta a quando do desmoronamento de uma capela, tendo dado entrada no (então chamado) Museu Ethnológico em 1903. Apresenta a seguinte inscrição (VASCONCELOS, 1913, p.225): I(ovi) O(ptimo) M(aximo) Procula Camali f(ilia, votum solvit) Troço de calçada romana, relativamente bem conservado, junto à capela da Srª da Saúde, à entrada da povoação. Faria, com grande probabilidade, parte da rede viária subsidiária da estrada que vinha de Mérida para Viseu.Vestígios Romanos do Seminário

Freguesia: Fornos de Algodres Sítio: Seminário Coord: 251.175/405.8 GAUSS, fl. 191, Alt. 459m

O acesso faz-se pelo caminho do seminário, que parte da estrada nacional. Os vestígios localizam-se numa vinha à esquerda desse caminho. Em prospecções recentes recolhemos, numa vinha à entrada do Seminário de Fornos de Algodres, alguma cerâmica comum.

Segundo informações do reitor do seminário, daquela área teria saído muita cerâmica de construção durante remoções de terra realizadas há já alguns anos.Vestígios Romanos em Infías

IMAGEM Vestígios da Rasa de Infías

Freguesia: Infias Sítio: Rasa Coord: 250.325/407.325 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt. 680m

Área que se situa imediatamente a Norte da povoação de Infias. O acesso é feito por caminhos que partem daquela localidade. Vários são os vestígios que se têm encontrado nas terras de cultivo que se situam naquele local, junto à povoação de Infias.

Segundo Monsenhor Pinheiro Marques (MARQUES, 1938, p.48-50), ali foram encontrados vestígios de “fortificação segundo os moldes romanos”, assim como cerâmica doméstica, moedas da época de Constantino, mós, capiteis e partes de colunas.

Destes campos proveio, igualmente, uma pedra que apresenta a inscrição … “ALBONI”. Vestígios em Infías

Freguesia: Infias Sítio: Infias Coord: 205.325/407.075 GAUSS, C.M.P., fl. 191, Alt 670m

Provenientes do interior da aldeia de Infias. Ou porque se localiza junto á Rasa de Infias, ou porque ela própria se situa sobre uma ocupação romana, a povoação de Infias tem igualmente revelado importantes vestígios daquele período.

Para além de alguma cerâmica e de pedras aparentemente com aparelho romano, são de destacar três inscrições latinas. Integrada na parede frontal da Igreja de Infias, à esquerda da porta principal, encontra-se uma lápide dedicada ao deus Mercúrio que apresenta a seguinte epígrafe:

DEO
MERCVRI
APONEVS
SOSVMVS
A(nimo).L(ibens).V(otum).S(olvit). –> (segundo COELHO; 1948, p.297).

Em 1920, Leite de Vasconcelos (VASCONCELOS, 1920) obteve para o então Museu Etnológico uma outra inscrição:

DMS/ MARCUS / MARCIN/
/ IF. N. LX/ CILIIA/ VXOR/ …
Ainda na povoação de Infias, foi encontrada uma pedra com a seguinte inscrição:

AOA / SDEGOE / GOVVA Vestígios da Quinta das Provilgas

Freguesia: Infias Sítio: Provilgas Coord: 249.150/406.200 GAUSS, fl. 191, Alt. 635m

Situa-se junto à povoação de Infias, a cerca de 1 Km para SW. O acesso faz-se por um caminho que parte da povoação e que segue, pela margem direita, a ribeira do Arcal.

Em prospecções que efectuamos recentemente recolhemos, a Norte da quinta das Provilgas, alguns materiais de origem romana.

No local, são abundantes fragmentos de cerâmica comum, cerâmica de construção e escória.

Vestígios Romanos em Maceira

Vestígios Romanos da Quinta do Carvalho

Freguesia: Maceira Sítio: Alpedrinha Coord: 254.625/411.800 GAUSS, C.M.P., fl. 180, Alt 660m

O acesso faz-se seguindo pela estrada nova que liga Fornos de Algodres a Maceira, virando à direita 1 Km antes do cruzamento para a povoação das Forcadas, por um caminho que desce a vertente.

O sítio localiza-se a meia vertente, entre as quintas do Telhais e do Cadaval, numa área também conhecida por Calpedrinha ou Alpedrinha.

Neste local foram recolhidos os seguintes materiais: bases, fustes e capiteis de coluna e outros vestígios não especificados (COELHO, 1948, p.294).

Coord: 254.500/412.125 GAUSS C.M.P., fl. 180 Alt. 700m Situa-se no topo da vertente, junto ao entroncamento do caminho atrás referido com a estrada Fornos – Maceira. Dista do sítio anterior cerca de 300/400m.

Neste local, recolhemos em prospecções recentes cerâmica doméstica e de construção. Vestígios Romanos em Matança

Freguesia: Matança Sítio: Matança Coord: 251.100/412.275 GAUSS, C.M.P., fl. 180, Alt 570m

São vários os vestígios romanos provenientes do interior da aldeia e sede de freguesia de Matança:
1 denário de Augusto, ! inscrição funerária, cerâmica de construção
(VASCONCELOS, 1920, p.219) e ainda capiteis e bases de coluna (ALARCÃO, 1988, p.60). Vestígios Romanos em Muxagata

Vestígios em Muxagata

Freguesia: Muxagata Sítio: Muxagata Coord: 256.300/410.150 GAUSS, C.M.P., fl.180, Alt. 410m

Provenientes da povoação da Mata à da Muxagata, a cerca de 1 Km desta. No que respeita à existência de vestígios romanos na aldeia da Muxagata, apenas conhecemos uma referência de Pinheiro Marques que fala de “ruínas de povoações romanas” que existiram sob a povoação (MARQUES, 1938, p.50).

Não são especificadas as razões destas observações, não se referindo quaisquer materiais.

Vestígios Romanos da Trepa

Freguesia: Muxagata Sítio: Trepa Coord: 256.950/411.250 GAUSS, C.M.P., fl.180, Alt. 410m

Situa-se do lado Oeste da estrada que vai da povoação da Mata à da Muxagata, a cerca de 1Km. desta. Referido como um castro por Fernando da Almeida (ALMEIDA, 1962, p235) a Trepa forneceu alguns vestígios de olaria romana e fragmentos de uma patena crismalis.

Em recentes prospecções, também ali recolhemos cerâmica comum e de construção. José Coelho (COELHO, 1949) refere alguns materiais que lhe foram dados com tendo proveniência na Trepa: trata-se de uma, fíbula em bronze e uma moeda.

O mesmo autor alude a que o proprietário do terreno lhe revelara que no sítio se recolhiam quantidades de moedas e que já encontrara um punhal. Vestígios Romanos em Queiriz Freguesia: Queiriz Sítio: Queiriz Coord: 257.225/418.700 GAUSS, C.M.P., fl. 189, Alt. 600m

Ara epigrafada votiva à divindade indígena BANDIS TATIBEAICUS. Foi recolhida na povoação de Queiriz, encontrando-se hoje no Museu Etnológico do Distrito de Viseu.

Vários foram os autores que a ela se referiram, nem sempre concordantes no que respeita à sua leitura (FIGUEIREDO, 1962, p.168), (CORTEZ, 1957, pp.37-38), (BLÁZQUEZ MARTINEZ, 1962, pp 53-54) (ALMEIDA, 1965), (ENCARNAÇÃO, 1975, pp 134-137).

Segundo este último autor, trata-se de uma ara votiva áquele deus, apresentando a seguinte proposta de leitura:

Q(uintus) VA/RIVS / APINI F(ilius) / BANDI

Para além da já referida ara epigrafada, Queiriz revelou outros vestígios de origem romana: cerâmicas de construção, cerâmicas domésticas e ainda uma dobradiça em bronze (COELHO, 1947, p 226; 1948, p 283; 1949, pp 99-100).

Vestígios Romanos em Sobral Pichorro

Vestígios Romanos na Mata

Freguesia: Sobral Pichorro Sítio: Mata Coord: 256.975/412.875 GAUSS, C.M.P., fl. 180, Alt. 450m

São referidos, sem serem especificados, vestígios romanos provenientes desta povoação (MARQUES, 1938, p.50).

Vestígios Romanos de Sobral Pichorro

Freguesia: Sobral do Pichorro Sítio: Sobral do Pichorro Coord: 256.925/413.925 GAUSS, C.M.P., fl. 180, Alt, 500m

Tal como acontece em relação à povoação da Muxagata, Pinheiro Marques refere existência de ruínas romanas no subsolo, sem que especifique quaisquer materiais ou estruturas (MARQUES, 1938, p.50).

Vestígios Romanos em Vila Ruiva

Vestígios Romanos da Tapada do Anjo

Freguesia: Vila Ruiva Sítio: Tapada do Anjo Coord: 253/399.100 GAUSS, C.M.P., fl. 202, Alt. 490m

Provenientes da àrea envolvente da Capela do Anjo, que se situa a Sudeste da povoação.

O acesso faz-se por um estradão de terra batida. Nos campos em torno da Capela do Anjo, junto à povoação de Vila Ruiva, foram recolhidos vários fragmentos de cerâmica de construção e de mós. (MARQUES, 1938, p.50).

Ainda no local, e segundo a tradição oral, encontra-se enterrada no caminho para a referida capela uma pedra com uma inscrição.