É uma povoação quase escondida e sepultada no fundo do vale, entre a Serra de Algodres e a do Belcaide. Mas é antiquíssima; é mesmo possível que venha do tempo dos romanos. Com certeza já existia em 1170, com o nome de Cortiçolo, e dela se faz menção na Carta de Couto de Figueiró. No século XVI chamava-se Cortyçoo.
Apesar da sua reduzida população, que em 1527 era de 30 fogos, e no século XVIII apenas de 249 habitantes, é, desde tempos imemoriais, freguesia independente, da inovação de S. Pelágio, sufragânea de Algodres. Além da igreja paroquial com campanário, teve a capela do Espírito Santo, profanada e demolida, e cujo o altar e imagem foram vendidos por uns carros de lenha ou de madeira e transferidos para a capela da Quinta dos Telhais.
A igreja paroquial foi reparada em 1878 pela junta de paróquia, com produto da venda de inscrições que possuía. (Actas da Câmara de Fornos, pág. 174).
Em 1855 foi esta povoação invadida pela peste do colera morbus, com grande virulência, tendo feito muitas vítimas chegando a morrer 25 pessoas em 8 dias.
A Câmara de Fornos portou-se nessa ocasião de maneira a merecer os maiores valores, tomando providências imediatas e inteligentes.
Isolou a povoação, estabelecendo um cordão sanitário por meio de guardas postos à boca dos caminhos, com ordens rigorosas de não deixar entrar nem sair ninguém, chegando mesmo a requisitar tropa, e suspendeu o mercado da vila.
Nomeou comissões de socorros em todas as freguesias do concelho, com uma comissão central em Fornos, estabeleceu um hospital em Cortiçô, sob a direcção do médico municipal, fornecendo-lhe enfermeiros remunerados, remédios, camas e roupas. À povoação foram distribuídos socorros e géneros.
Prestaram então grandes, serviços o médico Leitão e o barbeiro de Figueiró da Granja, Cândido da Costa Cabral, que, depois foram galardoados pelo Governo (Actas da Câmara, do ano de 1851, páginas 51, 58, 62, 76 v. e 116 v.).