Fornos de Algodres, “Capital da Urtiga”
Foi um fim de semana dedicado à etnobotânica, à natureza, ao saber tradicional e à valorização da urtiga — planta emblemática do nosso território.
O Mercado Municipal de Fornos de Algodres e a freguesia da Matança acolheram, nos dias 16 e 17 de maio, a XV edição do “Fim de Semana da Urtiga”, uma iniciativa promovida pela Confraria da Urtiga e pelo Município de Fornos de Algodres.
O programa teve início no sábado com as XIX Jornadas de Etnobotânica. A manhã começou na Ermida de Santa Eufémia, na Matança, com a receção dos cerca de 70 participantes e uma degustação de sabores “urticantes”, dando o mote para um dia centrado na relação entre as plantas, a cultura e o território.
Seguiu-se uma saída de campo orientada pelo guia Alexandre Silva e pelos representantes do Estrela Geopark, Sofia Santos e Rodrigo Moço, que conduziram os participantes numa verdadeira aula ao ar livre sobre biodiversidade, usos tradicionais das plantas e património natural.
Um dos momentos mais marcantes do dia foi o piquenique junto ao Ribeiro de Carapito, com uma grande mesa partilhada onde todos contribuíram com as suas iguarias, proporcionando um ambiente único de convívio e partilha.
Durante a tarde decorreram painéis temáticos e oficinas práticas que despertaram grande interesse entre os participantes. A artista plástica Vanessa Chrystie dinamizou uma oficina de impressão botânica, cruzando criatividade e natureza de forma original e inspiradora. Já o biólogo Luís Mendonça de Carvalho abordou a simbologia e a importância histórica e cultural das plantas ao longo dos tempos.
No domingo, o Mercado Municipal de Fornos de Algodres recebeu a Feira de Produtos Urticantes e a 1.ª edição do Festival das Sopas de Urtiga, iniciativa que celebrou os sabores genuínos da gastronomia local e destacou a versatilidade culinária desta planta emblemática.
O programa incluiu ainda o workshop “A Urtiga – Planta marginal ou heroína”, orientado por Alice Dionísio, bem como uma palestra do Grão-Mestre da Confraria da Urtiga, Manuel Paraíso, dedicada à identificação, valorização e preparação da urtiga para fins culinários.
O Festival das Sopas de Urtiga contou com a participação de nove sopas, avaliadas por um júri composto pela Confraria das Febras e Enogastronomia de Mangualde, pela Confraria Báquica, Gastronómica e do Requeijão da Serra da Estrela e pela Confraria dos Enófilos e Gastrónomos da Beira Serra.
A sopa vencedora foi a da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres(Aveludado de cogumelos com urtiga e crocante de presunto). O segundo prémio foi atribuído a Joaquim Fonseca Ramos(Sopa de “Ramos” de urtiga) e o terceiro à Associação de Promoção Social Recreativa Desportiva e Humanitária de Maceira(Aveludado de urtiga com requeijão de Maceira). Foram ainda atribuídas duas menções honrosas à Tasca da Terra(Creme de ervilha com crocante de urtiga e enchidos aromatizado com azeite verde de urtiga) e ao Agrupamento de Escuteiros 1393 – Fornos de Algodres(Sopa à Escuteiro).
Durante a tarde decorreu o showcooking “Urtiga à Mesa”, dinamizado pelo Chef Joaquim Santos, seguindo-se a atuação do Grupo de Cantares de Fornos de Algodres, que trouxe música e tradição popular ao certame.
O encerramento ficou marcado por uma degustação de infusão de urtiga, promovida pela Ervital.
Um especial agradecimento a todos os participantes, entidades, associações e visitantes que contribuíram para o sucesso desta edição, reforçando a importância de preservar e valorizar as tradições, os saberes e os recursos naturais do nosso território.
Do ponto de vista global, esta ação contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nomeadamente: ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis; ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre e ODS 17 – Parcerias para a Implementação dos Objetivos.












































